• 05
    abr
    Mulheres, evangélicos e pessoas de renda alta são os que mais rejeitam o bordão “Bandido Bom é Bandido Morto”

    Os pesquisadores Ignacio Cano, Leonarda Musumeci e Julita Lemgruber: pesquisa ouviu mais de 2,3 mil pessoas

    Press release

    Luciana Bento (Pauta positiva)

     

    60% dos cariocas rejeitam a ideia de justiçamento expressa na frase “Bandido Bom é Bandido Morto”, sendo que mulheres, pessoas de renda mais alta e religiosos praticantes, sobretudo evangélicos, são os que menos concordam com o bordão. Os dados constam de pesquisa realizada pelo CESeC/Ucam que aprofundou a investigação do perfil dos indivíduos que apoiam ou rechaçam este tipo de concepção e buscou entender que valores alimentam a ideologia baseada na execução de criminosos

     

    Embora seja um chavão amplamente disseminado e mesmo aceito por alguns setores, 60% dos cariocas não concordam com a frase “Bandido Bom é Bandido Morto”. Apenas 31% apoiam integralmente este enunciado, sendo que 6% concordam parcialmente e 3% são neutros ou não responderam.

    É o que revela a pesquisa “Olho por olho? – O que pensam os cariocas sobre “Bandido bom é bandido morto”, realizada pelo Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (CESeC) da Universidade Candido Mendes (Ucam) sob coordenação dos pesquisadores Julita Lemgruber, Leonarda Musumeci e Ignacio Cano.

    Os resultados completos da pesquisa estão disponíveis aqui.

    O estudo, realizado entre março e abril de 2016, tem como foco os moradores da cidade do Rio de Janeiro e busca investigar que ideias, percepções e valores alimentam a ideologia do justiçamento, além de traçar os perfis dos indivíduos e segmentos sociais mais aderentes a esta ideia. É curioso notar que a pesquisa não detectou diferença significativa de opinião com base em faixa etária, raça/cor, estado civil e moradia ou não em favelas. As variáveis que mais impactam são renda e sexo: pessoas de renda alta apoiam menos o enunciado. E homens (42%) tendem a aceitar mais o bordão “Bandido Bom é Bandido Morto” do que as mulheres (35%).

    Outro ponto que chama a atenção na pesquisa é que religiosos praticantes (que frequentam cultos regularmente), em sua maioria evangélicos, formam a parcela que mais rejeita a frase (entre estes, 73,4% discordam do enunciado). E enquanto 73% dos cariocas acreditam na ressocialização de criminosos, este número salta para 86% no caso de religiosos praticantes.

    Melhor prender, mas “pode” matar dependendo do caso

    O fato de a polícia brasileira ser uma das que mais matam no mundo é percebido pela maioria dos entrevistados: 62% acham que a polícia do Rio de Janeiro mata demais, sendo que 66% afirmam que ela é mais violenta com negros do que com brancos e 75% acreditam que a polícia é mais violenta na favela do que em outras regiões da cidade. Para 61%, a polícia, tendo escolha, deve sempre prender em vez de matar, sendo que 79% defendem penas mais rigorosas para punição a crimes incluindo os menores de idade que, para 86% dos entrevistados, deveriam ser julgados como adultos.

    Essas percepções balizam as baixas avaliações recebidas pela instituição: em uma escala de zero a dez, a Polícia Civil recebeu nota 5,8 enquanto a Militar recebeu 4,9. A Justiça foi ainda pior avaliada: 3,5. Porém, há parcelas expressivas que defendem a execução sumária dependendo da situação (isto é, aceitam que a polícia mate, mesmo tendo a opção de prender). A máxima vale sobretudo para estupradores (36%), mas também para assassinos (29%), membros de grupos de extermínio (20%), assaltantes (15%), traficantes (14%), milicianos (14%), corruptos (13%), policiais que agem fora da lei (11%) e agressores de mulheres (11%).

    No entanto, parte considerável do público que concorda com a frase “Bandido Bom é Bandido Morto” (38%) admite apenas a pena de morte judicial – não apoiando em nenhuma hipótese execuções pela polícia, por milícias e pela própria população. No outro extremo, 5,4% dos entrevistados acreditam que a polícia deve sempre matar bandidos ou suspeitos de o serem, seja qual for o contexto. Além disso, 40,2% dos cariocas não concordam nem com o bordão “Bandido Bom é Bandido Morto”, nem consideram o linchamento justificável, nem gostariam que a pena de morte fosse introduzida no Brasil. Número inferior à parcela que discorda da frase em questão – o que sugere que mesmo quem não concorda com o bordão pode apoiar a execução em casos específicos.

    “É interessante notar que a pesquisa revela uma sobreposição de opiniões, que podem parecer contraditórias entre si. Um exemplo é a pessoa que concorda com o bordão do “bandido bom é bandido morto” mas não dá carta branca para a polícia matar”, ressalta Ignacio Cano, um dos coordenadores da pesquisa. “Ela pode apoiar apenas a aplicação da pena de morte no País que, em tese, daria um respaldo jurídico para a execução”.

    E os direitos humanos nesta equação?

    Para parte bastante significativa dos entrevistados (73%), a defesa dos direitos humanos é incompatível com o controle da criminalidade, sendo que 56% pensam que quem os defende está só defendendo os bandidos. Ainda assim, menos da metade dos entrevistados (47%) acha que bandidos não merecem ter nenhum direito. “A clara percepção de que a violência policial é excessiva e seletiva, aliada à baixa avaliação tanto da Polícia Militar quanto da Civil, não impede uma forte rejeição à defesa dos direitos humanos”, pondera Leonarda Mesumeci, uma das coordenadoras da pesquisa.

    “Não deixa de ser preocupante o fato de que o percentual de pessoas que pensam que defensores de direitos são defensores de bandidos seja maior do que os que defendem o bordão “bandido bom é bandido morto”, destaca. Ou seja, mesmo entre aqueles que discordam do bordão, há os que rejeitam a atuação dos defensores de direitos humanos. O argumento é de que só defendem os bandidos e dificultam, de alguma forma, o trabalho da Polícia.

    Para Julita Lemgruber, isso demonstra uma clara dificuldade dos defensores de direitos humanos em esclarecer a população de que não há incompatibilidade entre o que defendem e o direito à segurança pública, o que indica a urgência de campanhas que cumpram este papel. “Na verdade esses conceitos deveriam ser complementares”, defende. “Mas houve, durante sucessivos governos, uma má condução do tema, causando uma ruptura entre as duas ideias, o que é extremamente prejudicial para a sociedade”, afirma.

    Sobre a pesquisa

    O estudo foi realizado pelo Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (CESeC) da Universidade Candido Mendes, com apoio da Ford Foundation e da Open Society Foundations. A pesquisa teve como base a aplicação de questionários feita entre março e abril de 2016 a uma amostra aleatória de 2.353 pessoas, representativa da população do município do Rio de Janeiro com 16 anos ou mais de idade, em pontos de fluxo da cidade. Além disso, foram realizados grupos focais exploratórios, com participantes de diferentes faixas etárias e níveis de escolaridade, moradores e não moradores de favelas, e entrevistas em profundidade com nove especialistas de diversas áreas profissionais.

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  • 17
    dez
    CESeC classifica como megalomaníaco plano do governo federal de erradicar maconha na América do Sul

    O plano do ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, apresenta uma série de problemas, na avaliação do CESeC (foto: Foto:Isaac Amorim/MJC)

    Megalomaníaco e inexequível. Assim pode ser classificado o Plano Nacional de Segurança Pública do ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, de querer erradicar a maconha no Paraguai. Apresentado na última segunda-feira, dia 12, a especialistas em segurança pública, entre eles a cientista social do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (CESeC), Julita Lemgruber, o projeto causou profunda estranheza por ser caro, impraticável, além de priorizar outras áreas.

    “Tínhamos uma expectativa de que o ministro apresentasse um plano nacional de redução de homicídios, que é uma questão grave no Brasil. Estamos batendo recorde de quase 60 mil homicídios. O plano vai aprofundar uma série de problemas que já temos, como a superlotação do sistema carcerário”, alertou Julita.

    A ideia de erradicação da maconha no Paraguai do governo federal é semelhante ao Plano Colômbia, uma fracassada tentativa dos Estados Unidos de acabar com as plantações de coca no país latino, nos anos 2000.

    “Foram gastos bilhões de dólares. Claro que não deu certo, foi um retumbante fracasso. Quantos bilhões de dólares seriam precisos no nosso caso? É muito frustrante e preocupante o plano que o ministro apresenta ao país neste momento”, frisou Julita Lemgruber.

    Outro ponto do plano do Ministério da Justiça que foi alvo de críticas é o de turbinar a Força Nacional, aumentando em sete vezes seu efetivo. O governo cogita permitir, via medida provisória, que os recursos do Fundo Penitenciário Nacional, destinados a prisões, sejam alocados no plano — calculado em R$ 2,3 bilhões pelos próximos anos.

     

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  • 08
    out
    O que pensam os cariocas sobre a frase “Bandido bom é bandido morto”?

    Caminhada em Defesa da Vida em memória à Chacina da Candelária, ocorrida há 22 anos, em 23 de julho de 1993 (Tânia Rêgo/Agência Brasil)

    Em dezembro próximo o Centro de Estudos de Segurança e Cidadania concluirá a pesquisa “O que pensam os cariocas: Bandido bom é bandido morto?”, coordenada por Julita Lemgruber (CESeC), Ignacio Cano (Laboratório de Análise da Violência da UERJ) e Leonarda Musumeci (Instituto de Economia da UFRJ e CESeC).

    O estudo trata de percepções populares sobre execuções extrajudiciais na cidade do Rio de Janeiro, sintetizadas pela expressão “Bandido bom é bandido morto”. Acredita-se que a tolerância e até a concordância de parte da população ao uso de força letal contra criminosos estejam entre as razões dos altíssimos níveis de violência policial no Brasil, assim como dos linchamentos e da proliferação de forças parapoliciais como milícias, “polícias mineiras” e grupos de extermínio. O objetivo do trabalho é compreender os motivos de apoio à execução extrajudicial, a fim de subsidiar ações e campanhas que possam contribuir para a mudança dessa lógica justiceira.

    Os resultados trazem dados surpreendentes sobre como moradores da cidade e das favelas enxergam instituições como a Polícia Militar, a Polícia Civil e a Justiça e em que situações consideram legítimo que criminosos sejam mortos. Também revelam de que maneira variáveis como sexo, religiosidade, raça/cor, renda e faixa etária influenciam a visão dos cariocas. A pesquisa quantitativa foi conduzida de 31 de março a 30 de abril em pontos de fluxo do Rio e fez 43 perguntas a uma amostra aleatória de 2353 pessoas com 16 anos ou mais de idade. Foram realizadas ainda entrevistas qualitativas com profissionais de diversas áreas e grupos focais com segmentos distintos da população, para aprofundar a discussão de pontos importantes do levantamento.

    Em setembro, o CESeC realizou um encontro com pesquisadores e parceiros, e  apresentou  resultados preliminares da pesquisa. Estiveram presentes: Edson Diniz, da ONG Redes da Maré; o juiz Rubens Casara; o economista Daniel Cerqueira, do Ipea; o coronel da reserva da PMERJ Íbis Pereira; Pedro Strozemberg, do Iser; o jornalista Cid Benjamim e o também jornalista Jorge Antônio Barros, atualmente diretor de comunicação do TJ-RJ. Participaram ainda do encontro, pelo CESeC, Paulo Victor Leite Lopes, pesquisador integrante da equipe do projeto; Silvia Ramos, Barbara Mourão e Luna Arouca.

    A divulgação dos resultados finais do trabalho “O que pensam os cariocas: Bandido bom é bandido morto?” ocorrerá na primeira quinzena de dezembro.

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  • 05
    out
    “A polícia atua discriminatoriamente segundo as razões ou as ideologias políticas”, diz relator da OEA

    Em visita ao Brasil para encontro organizado pela ONG Artigo 19, o uruguaio Edson Lanza, relator especial para a liberdade de expressão na comissão interamericana de Direitos Humanos da OEA (Organização dos Estados Americanos), avalia que a Polícia Militar tem facilitado ou reprimido manifestações no Brasil, desde 2013, segundo a ideologia dos manifestantes.

    Para o relator da OEA, esse modus operandi da PM fere a liberdade de expressão, pois o Estado não garante a integridade física das pessoas que participam de uma manifestação, enfraquecendo a democracia.

    Lanza observa que nos últimos anos “a polícia atua discriminatoriamente segundo a expressão, as razões ou as ideologias políticas”, inclusive, quando ocorrem agressões contra profissionais de imprensa. Confira a reportagem completa: https://goo.gl/usqCfF

     

    Foto/crédito: Rafael Stedile/Futura Press/Estadão Conteúdo

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  • 04
    out
    ‘Fundação do Brasil é ancorada na desigualdade, violência e discriminação’, afirma Atila Roque

    Para Atila Roque, diretor-executivo da Anistia Internacional Brasil e membro do Conselho Consultivo do CESeC, existe um déficit histórico estrutural de direitos no Brasil que não pode ser resolvidos num passe de mágica. Ele será o novo diretor da Fundação Ford no país, a partir de janeiro de 2017.

    Atila Roque alerta para o retrocesso na conquista dos direitos no país e enxerga que os jovens podem ter um papel fundamental nas mudanças positivas deste cenário. O ativista reforça a necessidade pela busca de um pacto contra a violência.

    Leia a entrevista que ele concedeu à ÉPOCA Negócios: https://goo.gl/ofRN5Z

     

    Foto/crédito: AF Rodrigues/Divulgação

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